Marcadores

Mostrando postagens com marcador Crisântemos infinitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crisântemos infinitos. Mostrar todas as postagens

14 de ago. de 2012

Ser poema & as mentes sitiadas.



Toda a idiotice construída
e lhe resta apenas os becos, menos:
os vãos minúsculos as estradinhas
de seiva o que nem chega a ser ideia pré-
concebida a parede de um aceno a
iridescência de alguma presença um
fantasma de possibilidade o a de um ato vago, mais:

o vento de um movimento sorrateiro
que desvia o curso do rio-tempo
e cria o cristal maravilhoso

nessas nossas páginas brancas


8 de ago. de 2012

O Observador de nuvens.


                                 “ 'Horizonte: des-vendável' diz o mercador”
                                                                                  Murilo Mendes


Num clique tudo
se desarvora todo arranjo de flores
e dignidades digitais tudo se descompreende
numa esquizofrenia de pixels, tudo

e esse tudo é um encontro fortuito
que descarrilhou uma valsa que estourou
um beijo invertendo-se em estio, tudo

num piscar de olhos transmuta rápido
demais o sequestro das entrelinhas
do horror das sombras no quarto (exclui-se o quarto)
do inseto desconhecido na tarde de sábado

tudo, pois o estudo da lágrima está falido
o eterno ladrão no quintal o bandido
solto pelo seu corpo o blues em goles
lentos de nostalgia ferida falida falido

nada
agora
é mais unânime que o fuzilamento


15 de jun. de 2012

Ser a folha rodopiante.




São dias em que o espanto
vai perdendo força ao plástico
otário da rotina – quero a âncora ou a águia e obtenho
movimentos incólumes, falsa perseguição ao ouro
as costas repletas de nódulos
de amor e repouso       felicidades impotenciais

em dias assim maiakovskis se partiram
em constelações perenes de gritos
óssips e akhmátovas
murcharam seus cravos
incompreendidos
cazuzas ruiram

em dias assim      idiot wind

7 de jun. de 2012

Sabe


que os homens de gelo nada refletem em si
per turbados
jardins estéreis - árvores de mármore plantadas no business hall –
o seu maior desejo é colher um cavalo marinho e beijá-lo
mas tudo isso fica mal perante
o manual normativo da vida inserido na epiderme (olho e não vejo a sua luz !)

dão ao diabo o poema

suas articulações nos membros tossem estalos secos
eles munícipes lúcidos elaborando na cidade-alçapão
escaramuças contra o voo desordenado dos pássaros

e a vontade de gozar com a alma

esses gestores do sucesso

30 de mai. de 2012

Tempo meu.



Meus negócios são com a solidão
as finanças do vento levando os cabelos
minha alma alugada que pensa e repensa
o cárcere: há um corpo cansado, mas devo perpetuar essas commodities:
amor, amizade, poesia...eu mesmo, meu desejo ou mera sombra de outro desejo maior ?

Tenho negócios com a solidão das coisas
com o sol explodindo os limites do meu filho correndo à prazo
pela grama - girassóis devedores, juros de abelhas
plena concordata da lua

nada ganho, meus bolsos estão falsos – o cofre vaga
pelos cantos da casa empanturrado
de moedas-palavras.          inverossímil &
belo: o meu tempo não deveria estar à venda.


3 de mai. de 2012

Aquele homem engoliu um cofre



“ All the money you made
Will never buy back your soul.”
Bob Dylan.


Seus órgãos já estão fartos
da sujidade de seus métodos

a gravata o cós do sorriso
o terno de azul profundo
tudo correto tudo resolvido
e o estômago revoluteia
as mãos querem partir
o pescoço murchar e extinguir-se

a cabeça despencar

a sua fé na grana é o seu cão guia
nada lhe faltará

mas até sua alma quer dar o fora
chega ! ela diz conjecturando uma viagem
aos Montes Urais     enfim
todos & tudo que estão em você
querem outra vida

viver.  

18 de abr. de 2012

Abre uma janela em ti mesmo


para então contemplar-te numa tarde calma respirando
fundo quebrando a crosta imunda cotidiana
do trabalho alienado fundo
respirando até o ar domar
o abdome aos seus encantos
de ar e todo o conjunto vital
pernas fígado dentes
apreensões
transpor a própria janela
por onde contemplava-te e num desesperado mergulho

cair em ti mesmo.

12 de abr. de 2012

Abril

Foi-se a alegria tangerina

hoje,
      o outono fala a língua dos ossos.

A borboleta álacre morre mariposa -
frios cinábrios misturados ao pó.

Agora todos pensam
pensam muito
casacos de dúvidas   casulos

tardes erradias & as flores
                                     esmaecidas
                                                no chão.

31 de mar. de 2012

Alguns facínoras comandam nossos pássaros




não deter os caminhões que derramam terra sobre as guitarras frenéticas
é um desserviço um suicídio
secos caminham os corpos doentes
enquanto corações & mentes tramam o coito neurastêmico
as solas gastas do sapato são os bifes de hoje
os olhos dóceis os ovos estralados de amanhã
há muito sangue no seu leite
e o seu filho traz na testa a marca da faca de suas noites insones

você beija seus hierarcas sagrados na boca
e pede para que eles possuam sua alma de bruços na mesa do escritório
um busto de Garcia Lorca tem sangue escorrendo pelos olhos
há três décadas alguém perdeu o nome quando lhe roubaram a carteira
há cinco minutos um outro vestiu um terno cravejado por gaivotas
um homem bomba explodiu gerando uma nuvem de gardênias
a Beleza nos é sequestrada diariamente por robôs turquesa
e é sistemático o nosso desprezo pelos peixes

as saídas dos shopping centers estão obstruídas para sempre
o cachorro da Justiça corre atrás do próprio rabo gerando um ciclone
todos são levados a crer na possibilidade de vida nos esgotos
mulheres montam bunkers dentro do próprio útero
é chegada a hora de perguntar-se pelo insucesso da lua
e porque o beijo virou uma máquina de corrosão dos lábios

21 de mar. de 2012

O rio de automóveis congelou



quem fala daqui é quase um zumbi
um vencido se reconhece pelas olheiras
e na relação íntima que estabelece com as coisas a sua volta
uma cafeteira borbulhando seu sangue por exemplo
uma torta com recheio de tormento
uma gilete chupada como bala de menta

quem fala daqui é quase um nada
e se afoga por exemplo

nesse rio de automóveis congelado

algo anda muito mal
algo anti-arlequinal

17 de mar. de 2012

Se eu construísse um altar seria de vento




todo objeto cortante possui uma sombra floral
ao ponto de um poema naufragar com a boca entupida por girassóis
esmaecer tendo a solução solar tão próxima

ou pode ele ressuscitar

sempre que me deparo com seu sorriso prenunciando uma tarde de delícias

Praia das Conchas
poemas & girassóis voltando a vida

o pêndulo alucinatório do teu corpo a dançar sobre o meu

10 de mar. de 2012

Os automóveis devoraram tudo




nada é indigesto à volúpia das horas assalariadas
suando cédulas e nostálgicos de algo
enquanto pardais de fuligem driblam borboletas de estanho

os homens ocos acariciam volantes
pensando nos seios de uma fada monetária

o que fazer depois das seis das onze uma da manhã

no copo de scotch brota uma flor de lótus

9 de mar. de 2012

Aonde encontro a âncora para isso tudo




ele está farto quer a onda de madrepérola
nela fazer sua casa e controlar as nuvens com uma linha sem cerol
um dia a sucessão dos dias pararia para pensar
e a mesa dos escritórios geraria um tufão

o que me interessa é depois da tempestade
uma espécie de grau zero espaço surdo

até o grito primal do primeiro rouxinol

jokerman dance to the nightingale tune

6 de mar. de 2012

Os seus lábios que carregam o mundo




vasculharam as palavras em minha boca
excitaram as minhas veias ao ponto de elas virarem serpentes
e nada mais fez sentido e me fiz um homem diverso

viajando amarrado a gaivotas
dormindo emborcado em praias

vidrado de tanto amor tal qual um cocainômano
os seus lábios que carregam o mundo
viraram o colchão que me derruba

seus beijos são sucessivas eutanásias.

29 de fev. de 2012

O que a noite quente nos dá



um sofrimento vindo das veias suicidas
por que deixar um mundo onde existem gardênias
& anêmonas que explodem aos milhares

nos mares internos dos possíveis amantes
no licor nas crisálidas nas futuras estrelas

por que renegar um mundo
onde há abelhas confeccionando seu sol particular
lobos cultuando suas presas com árias & saxofones

e as saídas abertas por onde quer que você olhe
rumo ao paraíso das garças escarlates.

8 de jan. de 2012

Nosso condutor

tem os olhos vazados o coração decapitado as rótulas engripadas os artelhos desnorteados as unhas amolecidas os pés sem norte ou sul e a boca insípida cega de beijos & discursos secos os líquidos seminais doce o fel do dia a dia ocre a saliva das noites tensa a coluna vertebral frouxo o pênis

outrora ereto bíceps dissuadido a viver sem apesares

solta o volante para melhor sentir a brisa da cidade dos mortos  

19 de jul. de 2010

É necessário                            

uma guerra de flores derramar 
um jardim antiquíssimo e belo com penhascos 
relatando a história de todos os entardeceres por eles vistos 
e todas as nuances do sol sobre o mais ínfimo grão de grama 

derrubar esse mundo sujo pelas samambaias e azaleias no concreto vizinho 
goela a baixo do vizinho incauto & casmurro 
entupir-lhe a boca com vaga-lumes & bichos-da-seda

fazê-lo vomitar arco-íris
e parir 

uma criança ataviada por crisântemos infinitos

15 de jul. de 2010

                   
As cédulas

viram açucenas que viram arcanjos que levam pelos ombros 

o homem-punhal 

o fio dos seus olhos e o martelo das mãos já semearam 
um campo negro de mortos em potencial 

a Piedade e os Direitos-Humanos se entreolham

arcanjos viram abutres de aço & madrepérola
o homem-punhal se auto-flagela
 
abraçando-se

10 de jul. de 2010


O inimigo

tem o rosto derramado num caleidoscópio ora metrópole tentacular ora olhos esquivos e a inocência estrangulada a carcaça no passeio público índoles medievais & laivos cosmopolitas latifúndio do inefável medo espelhos ambulantes as manhãs de mármore as tardes de magma

as noites dos esqueletos jogados em sofás-cadeado

o rosto refletido na sopa de desejos

4 de jul. de 2010


O sono

estende a sua mão implacável desliga o farol dos olhos e o curto-circuito das artérias na cabeça o leve incêndio das anêmonas degoladas & das chuvas bailarinas de Garcia Lorca “Ah, como deve estar bela a Andaluzia enquanto Franco ainda queima lentamente !” sons dementes liquidificadores de vozes & hesitações nos alpendres obscuros da consciência tudo tudo vai ficando distante na quase-morte dos sentidos

um corpo é cuspido da órbita onírica para o real

a manhã mastiga essa matéria impregnada de lua & suor