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17 de nov. de 2016

Cenário I

Mar
    ar      expansão
                    de crianças sem nome
                     unindo-se à areia;    meer
Mer
Ocean  -  murmúrio
                intenso
                          das ondas

     choque
     nas rochas


serenas águas-
             vivas
             mortas


      sob
      o sol



12 de nov. de 2016

Poesia

Ainda que a
vida
prescinda de
mim

carregar você no
meu bolso
sideral - sombras
     indecisas, labirintos de
        sabor    -  
                          algures :

você surge
ataviada com os colares
da surpresa

sabe se compor
nesse doce
dilema, nessa

mesa

voltada
      para o
            céu

6 de nov. de 2016

Ano zero

Quem é
esse que
se põe a mesa
como um
livro -
         e esse livro
         é um livro de
         outro livro -
                           e esse
                           livro de outro
                           livro acaba
                                    em píxels
Quem é
esse que
sente
não mais sentir -
                         e esse não
                         sentimento o leva
                         para dentro -
                                            de um sentimento
                                            de alguém que
                                            também
                                                     evanesce
Quem são
esses que
inflam as ruas
(seus rastros
         lapsos) -
                     engolem seus
                     percalços em
                     pílulas
                     breves -
                                e desintegram-se
                                em benefício
                                         dos prédios
 











31 de out. de 2016

Motel Augusta

Quem me
disse tchau
       - so long
         au revoir -
foi o
entorno do seu
corpo
        - penumbra de gata
           num quarto barato -

( no fundo profundo me dizendo adeus)

Já sozinho
será
inacreditável

que quando
acabar o
meu banho

seus vestígios
terão ido
pelo
ralo
       
- e você : um vulto
         
passado

talvez

26 de out. de 2016

Menina do mar & dos ventos

Acorda a
poesia
e já provoca
a menina
do mar & dos ventos

Fuça
em sua
calcinha
penetra
em suas
frutas
alisa
o peixe rosa
do seu aquário imemorial &

no estuário
infernal
(meio-dia
sol a pino)

imperceptíveis
seus sucos se abraçam

um sol

um filho


Dor pop

Muito atento
pra você
não me dar
o chapéu

De você
quero
pouco -

o suficiente
para um poema
louco

e, no
entanto,
gourmet  
blasé

Não venha
você
com seus
excessos,

-  quero o
sucesso -
de uma dor
tranquila

despedir
lord byron

cuspir a
estricnina
na latrina &

ouvir muito
pop rock

24 de out. de 2016

Poeta urbano

Deram corda pra ele
(quem mandou ?)

agora deu
para sair pela cidade
a fazer poemas
         
malgré

sejam poemas de graça

Senta na praça
olha uma pomba
                -  muito menos vazia do que ele  -
cai em lágrimas

Compra um chiclete
pó
& um revólver

Embora fale francês

Pequeno hamlet

Luca engoliu
duas pérolas
desde então sofre
no nosso hospital diário
com seus olhos iluminados

Pequeno hamlet incompreendido
o seu sexo
escondido
já busca por mil
avatares

Luca teima em
crescer
menino mal sabido
correndo entre o vento idiota

assobiando uma canção de Dylan

Menino bom

Vou dar um jeito
de erguer um edifício 
no peito
pra ver se me ordeno
me ordeno
me endireito

Vou dar um jeito
de comer mais
fibras
pra que as fibras
do meu coração
fortes fiquem

Vou dar um jeito

de ser eleito
não para prefeito
mas para 
perfeito
amante
seu

23 de out. de 2016

Mara

Olha
a foto
falando coisas
              zonzas

- como a noite urbana
  refém em um quadro
  seus neons querendo
  ferir a moldura dura  -

Linda foto
fundo o foco
no seu olhar

- querendo navegar -

Essa foto

quem será,
           ou já é,
                ou está ?

21 de out. de 2016

Cachoeira


Noite -
ocasionais rochas
caem

manhã -
a paisagem 
muda

borboletas ocres
vêem florescer cores
nas asas

na água - 

Esmeralda


(Boiçucanga 10/2016)

28 de set. de 2016

Algures

 A rua
pre-
cária
in-
veja
a rota dos aviões

O vi-
zinho
cobra
o pote de açúcar
do vi-
zinho


Amor na 13 de maio

Nossos abraços
vêm rompendo
nossos
limites -

logo mais
será
a cidade

iluminada

Donaire Vila Campestre

Demônio
no muro

Sol
homérico

cadáveres
conversam

pinga
no bar Paraíso

Monturo
contumaz
na esquina

Pó á 35

um ou
dois
amigos

Donaire Madalena

Muro
caleidoscópico
purpurina -

Praça (nome esquivo, talvez Leautrèamont...)

Psicanálise na
sobreloja de um outlet -

Esquina :
formigas exploram camisinhas
                usadas

Solitude

   Metrô
   Jabaquara

   Enxame
   congelado -
                     - ossos arrepiados -
  Se eu quiser
  posso até ser
  eu        
                 

 

Óleo sobre tela

    Segunda-
    feira
             Monet -
             ária até a medula
             (impressão, nascer do sol)

   Cirúrgica-
   mente
   em mim.






23 de jul. de 2013

Flash no metrô Paraíso

você, a desconhecida da
tarde - e ambas completas estranhas para mim -
ali, metrô (seta de cupido às avessas)
cairá, logo logo

no liquidificador da megalópole


7 de jul. de 2013

O comitê do lixo

Por esse elevador
alcança-se
o andar das incoerências.

Esse ar-
condicionado da
alma diária

A
gôndola
insuficiente
do estar-no-mundo

O automóvel
dos desencontros

O papel celofane que enfeita
os projetos partidos

As asas da fênix
de poliuretano:


O disparo na cabeça
da criança
de 5 anos.




10 de fev. de 2012

Um velho

Voa
com os seus
pombos

as ruas
falam
o vento cinza

a turba
sonha
o armistício : 

           entre as cédulas tristes & as libélulas translúcidas